A imagética do Mal no heavy metal

Por Pricila Reis Franz em 26. May, 2010 | Música, literatura | 2 Comments


Hoje (26/05/2010) fiz uma apresentação na Mesa-Redonda sobre Teopoética, na IV Semana Acadêmica de Letras da UFSC sobre a imagética do Mal na música (parte da minha pesquisa de doutorado). Para quem não pôde ir (ou foi e quer ler/ouvir com mais calma a apresentação), coloquei os slides e as músicas on-line. Aproveitem!

O Diabo é o Pai do Rock – a imagética do Mal no heavy metal

Aqui está o link para as músicas: Download – 82 MB

Mais tarde vou colocar o vídeo da apresentação gravado por um colega. Espero que gostem e, por favor, comentem!

Novo livro sobre o mercado de traducão

Por Pricila Reis Franz em 06. May, 2010 | Tradução, livro | 2 Comments

É com enorme alegria que faço este post para indicar o livro: “Fidus interpres: a prática da tradução profissional”, do colega Fabio Said, autor do site Fidus Interpres. Leitura obrigatória para quem é tradutor profissional ou deseja ser. Nada de teoria; são 256 páginas de pura prática na área! Reproduzo na íntegra o press release enviado pelo autor:

Livro: Fidus Interpres

Livro: Fidus Interpres

Mercado de tradução é tema de livro recém-lançado
O livro “Fidus interpres: a prática da tradução profissional”, derivado do blog fidusinterpres.com, reúne em 256 páginas comentários e reflexões sobre o mercado de tradução e sobre o lado comercial dos tradutores

Foi lançado na última sexta-feira (30/04) o livro “Fidus interpres: a prática da tradução profissional”, do tradutor Fabio M. Said. Em 256 páginas, o livro oferece ricas informações sobre o mercado de tradução e sobre um lado dos tradutores raramente visto na mídia: o profissional que se ocupa não só de traduzir, como também de aspectos comerciais, como estratégias de marketing, política de preços e planejamento financeiro.

O livro deriva do blog de tradução fidusinterpres.com, criado e mantido por Fabio M. Said há mais de dois anos. O blog é um espaço interativo que recentemente alcançou a marca dos 500 mil visitantes. O nome “fidus interpres” é um termo latino que significa “fiel tradutor” e há séculos tem sido objeto de estudos.

O livro trata dos mesmos assuntos que o blog, mas de forma mais aprofundada. Um dos capítulos, por exemplo, é sobre a tradução “juramentada”, vista por muitos como uma área esotérica na qual só entra quem tem “QI”. Nesse capítulo, o autor discute a legislação que regulamenta essa profissão e as regras dos concursos para Tradutor Público e Intérprete Comercial (nome oficial do profissional conhecido popularmente como “tradutor juramentado”).

Outra área coberta no livro “Fidus interpres…” é a “tradução literária”. O autor tenta eliminar o mito de “traduzir uma obra e depois procurar editora” – ideia romântica de quem desconhece que não é o tradutor que escolhe a obra a traduzir, mas sim a editora.

Aliás, são vários os mitos que se dissolvem nas páginas do livro. Um mito clássico reflete-se em uma velha frase ouvida de muitos clientes: “Eu mesmo traduziria se tivesse tempo” – esta, na verdade, é uma tentativa de diminuir a importância de um tradutor profissional e, às vezes, arrancar um desconto do tradutor.

Além de derrubar mitos, o autor oferece uma série de dicas e informações práticas para quem quer ser tradutor. Algumas perguntas cujas respostas o leitor encontrará no livro: Como se ingressa no mercado de tradução? Que exigências legais e fiscais se deve cumprir para ser um tradutor freelancer? Quais as habilidades básicas dos tradutores? Que ferramentas tecnológicas são usadas por um tradutor?

As ferramentas da tradução são tema de um longo capítulo. Nele o autor discute as vantagens da memória de tradução. A memória de tradução é um sistema no qual o texto a traduzir é dividido em segmentos, e cada segmento do texto original é armazenado junto com o segmento correspondente na tradução. Esse sistema, aliado a outros recursos, forma o elemento central das chamadas ferramentas CAT (“computer-aided translation”, ou tradução assistida por computador). As ferramentas CAT podem aumentar a produtividade dos tradutores e são usadas não apenas por tradutores “técnicos”, mas também por tradutores de livros.

O livro contém ainda uma discussão sobre a tradução automática, que não deve ser confundida com as ferramentas de tradução, e sobre as implicações dessa tecnologia para o futuro dos tradutores profissionais.

O capítulo mais longo é sobre estratégias de marketing. O autor explica como criar um blog ou site para uso profissional e usar essa plataforma como ferramenta de marketing. Outras plataformas da Web interativa – a chamada Web 2.0 – também podem ser usadas por tradutores freelancers para captação de clientes e socialização com colegas. O leitor encontrará no livro técnicas e macetes para usar o Twitter, o YouTube e outras plataformas da Web 2.0.

O livro “Fidus interpres: a prática da tradução profissional” pode ser adquirido somente pela internet. Ele foi publicado em sistema de impressão “sob demanda”, ou seja, os exemplares só são impressos depois de comprados, não havendo estoques, nem distribuição em livrarias físicas. Atualmente, a obra está em três livrarias on-line – no Brasil, Estados Unidos e Portugal – e, portanto, acessível em qualquer lugar do planeta.

Com o livro, o autor pretende tornar mais conhecida a figura do tradutor profissional comprometido com a tradução no longo prazo e não só como bico temporário. Além disso, o autor quer que o profissional da tradução seja visto como “alguém que está nesta profissão não só por amor ou deleite pessoal, mas também para ganhar dinheiro e se dar bem na vida.”

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Informações básicas sobre o livro

Título: “Fidus interpres: a prática da tradução profissional”
Autor: Fabio M. Said
Editora: edição do autor
Edição: 1a (2010), brochura, 14,8x21cm, 256 páginas
ISBN: 978-85-910098-2-4
Sinopse: O assunto deste livro é a tradução como atividade profissional, prática, com problemas e desafios concretos. Não a “arte de traduzir”, nem a (in)traduzibilidade de certas expressões, tampouco anedotas sobre erros de tradução. A primeira parte oferece uma introdução ao universo da tradução profissional, com detalhes sobre especializações, modos de ingresso na profissão, associações profissionais e tradução “juramentada”. Na segunda parte, o tema é a tradução como ofício: técnicas de tradução, ferramentas do tradutor, gestão de terminologia, “tradutorês”, controle de qualidade. A terceira parte focaliza a tradução como atividade econômica: exigências jurídicas e fiscais, política de preços, estratégias de marketing, métodos de cobrança, clientes maus pagadores. Esta é uma obra sobretudo para tradutores em formação ou início de carreira, mas também para tradutores experientes, pois expõe visões pessoais e reflexões sobre a profissão de um modo geral.

Termino parabenizando e agradecendo ao Fabio por essa iniciativa, pois há pouco material prático na nossa área, principalmente em português. Para quem ficou interessado, clique aqui e compre o livro.

Percepções sobre o Congresso de Tradutores da Abrates 2010 – parte II

Por Pricila Reis Franz em 29. Mar, 2010 | Tradução | 15 Comments


Continuando as impressões do primeiro dia do Congresso da Abrates, registro aqui a palestra de abertura A Babel Global: Crise ou Loucura, com o Keynote Speaker João Roque Dias, um engenheiro/tradutor português que conhecia através de seu site e que sempre pensei que fosse alguém muito sério e sisudo. Na realidade é um portuga muito bem-humorado e cativante! Entre as brincadeiras durante a palestra, um agradecimento ao William Carrier – inventor do ar condicionado -, uma breve história da Tradução contada em seis slides (cujo o início se deu por falta de uma licença numa construção… Babel, é claro!), e a promessa de “sexo em escala industrial no meio da palestra”-  nada mais que números demográficos, hehehe.

Pois em meio a tantas brincadeiras o palestrante conseguiu trabalhar muito bem o tema do congresso (A crise global e os decifradores de Babel), que pensei estar fora de sintonia, pois ao menos pra mim (para outros colegas com os quais tenho contato) não houve crise, pelo contrário, há cada vez mais procura (inclusive tenho observado que o Brasil está cada vez mais em evidência, ganhando destaque até em filmes e séries americanas, um sinal de que estão interessados na gente!). Mas muito se pode falar sobre esse assunto e abaixo seguem algumas anotações que fiz de sua palestra:

  • Vendemos serviços, não mercadorias. A diferença entre mercadoria e serviços é que a mercadoria pode ser armazenada e os serviços são prestados na hora. O palestrante comparou o tradutor com o cabeleireiro (serviço, individual, personalizado, único), com a diferença de que este realiza o serviço no próprio corpo do cliente! Para se calcular o preço da mercadoria, basta somar os custos da produção (investigação e desenvolvimento; engenharia; materiais; produção; montagem; garantia de qualidade; peças de refugo; embalagem; marketing e distribuição). Já no caso da tradução, a pergunta: “quanto devo cobrar pela minha tradução?”, tão habitual em nosso meio, está errada. O correto seria: “quanto me custa fazer ESTE serviço para ESTE cliente?” E como fazer para se chegar a esse valor? Primeiro fator: tempo. Quanto tempo disponível você tem, quanto tempo levará para realizar a tradução. Segundo: dinheiro. Quanto dinheiro você gasta para pagar as coisas necessárias para fazer o trabalho. Porque tradutor gasta dinheiro para trabalhar.
  • A loucura de ser tradutor: o João citou algumas situações pelas quais passamos: traduzir de tudo (sapatos, moldes e aviões); depressa, muito depressa; com terminologia inventada ontem; sem erros e com seguro contra erros; com garantia de qualidade; normas; o cliente está à  espera; tudo isso recebendo 0,03 centavos por palavra! Além disso, inventamos coisas como: MT (memória de tradução); educação do cliente; formação contínua; certificação de tradutores; normas de serviços linguísticos; desenvolvimento profissional; tudo para continuar a receber estes mesmos centavos! Essa é a loucura da nossa profissão!
Triângulo de ouro da tradução

Triângulo de ouro da tradução

  • Ainda na questão da loucura, citou algumas “modas“: antes os Cursos de Tradução eram ligados ao de Secretariado; depois, cursos de tradução apropriados pelas Faculdade de Letras (muitas vezes SEM passar de Cursos de Letras); Cursos LEA / LA (moda francesa) – línguas estrangeiras aplicadas; e, finalmente: a tradução  não existe, o que existe é a comunicação. A tradução é apenas um capítulo da comunicação. Além disso, tradução técnica agora é tudo: literatura, economia, medicina, direito, jornalismo, tradução de “coisas de engenheiros”.
  • Apresentação dos tradutores: o palestrante citou alguns erros comuns: “tenho mestrado em tradução” e “I have a passion for languages” (frase que ecoou por todos os dias do congresso!), entre outros. É importante que o tradutor apresente-se falando sobre sua experiência e em quais áreas é especialista; se domina sua língua materna (sim, porque muitas vezes o tradutor não consegue se expressar corretamente em sua própria língua!). Perguntas essenciais que o cliente deveria fazer sobre um tradutor: sabe escrever bem na língua materna? Sabe pontuar e escrever sem erros? Como conhece o assunto da língua de partida? Sugestão para os tradutores: repetir estas perguntas para seus clientes.
  • Normas de tradução: não servem pra nada. Devem ser lidas uma só vez (“para não parecermos estúpidos nas conferências…”) e jogadas rapidamente no lixo.
  • Mercado de trabalho. Estimativa da UE: Portugal precisa de 70 a 80 tradutores por ano; a lista de correio de uma determinada agência  portuguesa tem 1500 tradutores; 85 %  dos novos tradutores que entra no mercado salta fora no primeiro ano; dos 15 % restantes, a quase totalidade sai no segundo ano.Sobre leilão de serviços, o palestrante sugeriu ler sobre teoria dos jogos e não se meter nesse tipo de negócio, porque não é brincadeira.
  • Em uma crítica às associações de tradutores, João afirmou que temos uma tendência natural em andar em cardumes. Por isso, ser membro de uma associação é “fino”, dá (parece dar…) credibilidade e reputação, mas o que ganhamos mesmo com isso? Sugestão: “levar o cardume a passear” – as associações devem estar em feiras industriais, feiras dos livros, congressos profissionais.
  • Devemos (per)seguir o dinheiro. Por isso, com relação ao futuro, sua sugestão de áreas que devem crescer cada vez mais nos próximos anos são: ciência, tecnologia e inovação (investigação e desenvolvimento). Os maiores países investidores em investigação e desenvolvimento são Israel, Japão, China e Eua, respectivamente. O campo que devemos prestar atenção (e estudar!): energias renováveis, energia fóssil, energia nuclear, outras energias – ciências da energia.
  • Indicadores fundamentais p/tradutores: frequência de novos trabalhos (cálculo: 365 dias / n. de trabalhos = frequência de novos trabalhos). É a probabilidade de receber um novo trabalho quando estamos ocupados. Dá uma estimativa de perda de trabalho quando se está ocupado.
Indicadores fundamentais para tradutores

Indicadores fundamentais para tradutores

Essas foram as minhas impressões/anotações sobre o primeiro dia. Posso ter esquecido algo, mas o pessoal pode complementar nos comentários.

Apenas um post scriptum sobre diferenças culturais registradas na janta Pós-Congresso: na pizzaria, cariocas e paulistas espantados e escandalizados porque gaúcho come pizza, pastel e xis de coração de galinha! Não sabem o que é bom! :D

Percepções sobre o Congresso de Tradutores da Abrates 2010 – parte I

Por Pricila Reis Franz em 29. Mar, 2010 | Tradução | 10 Comments


Conforme prometido, aqui vai o primeiro post com impressões e percepções sobre o III Congresso de Tradutores e Intérpretes da Abrates (Associação Brasileira de Tradutores e Intérpretes), realizado em Porto Alegre, nos dias 19 a 21 de março de 2010. Optei por fazer pelo menos dois posts sobre cada dia, bem detalhados, como um diário de bordo, para facilitar a organização e eu não esquecer nada. A Abrates deve disponibilizar o áudio e ppt de (quase) todas as apresentações, mas como não sei quando isso vai acontecer, nesse link você encontra as fotos que tirei de vários slides (não todos, infelizmente).

Antes de mais nada, gostaria de dar os parabéns publicamente à Abrates (Paulo Wengorski, Marcelle Castro, Robert Finnegan, Marcelo Neves Almeida e Renata Armindo) pela organização, pois estava excelente! Foi um Congresso memorável, ótimas palestras e palestrantes! Deixo apenas como sugestão para o próximo um local mais acessível e que tenha internet via wi-fi. :)

Agora, primeira observação do dia: o encontro presencial com colegas amigos já conhecidos via internet (orkut ou twitter). É uma situação muito interessante, pois após um breve reconhecimento de cada um, já passamos a conversar como velhos conhecidos, sem aquele constrangimento que geralmente acontece com quem se conhece pela primeira vez. Já tinhamos nossos assuntos e “gírias” em comum! Foi uma excelente possibilidade de interagir melhor com as pessoas que já conhecia on-line, principalmente para quem como eu não reside no eixo RJ-SP (que vivem fazendo encontros presenciais!).

No início do Congresso participei primeiro da oficina sobre A construção de produtos termingráficos / dicionários especializados, com as palestrantes Cleci Bevilacqua e Maria José B. Finatto (UFRGS). Algumas anotações:

  • Como avaliar dicionários / glossários? Lendo a introdução, verificando os termos  e falsos cognatos já conhecidos e se há um guia do usuário.
  • Terminologia: termos e fraseologias, colocações especializadas. Terminologias: vários glossários.
  • Princípios gerais na elaboração de produtos termingráficos: delimitação da área e tema; definição do usuário e finalidade do produto; seleção dos textos que servirão para coleta dos termos; critérios para seleção dos termos que formarão a nomenclatura – temática, perspectiva. É importante revisar os critérios durante o andamento do trabalho.

Na metade da palestra saí e fui para outra oficina (juro que várias vezes queria ter uns três clones meus, para poder participar de tudo que achei interessante), Legendagem, com Sabrina Martinez, da Gemini Media. Achei ótima, pois, de forma prática, a palestrante mostrou como se legenda um filme, falando sobre vários macetes que há nessa área (como marcar uma legenda, a questão do tempo, do tamanho da legenda, etc). Falou também que há um mercado crescente principalmente na área de legendagem em espanhol e apresentou os diferentes tipos de programas para legendar (por exemplo, o Subtitle Workshop, gratuito). Quem tiver interesse em fazer o curso que a Gemini ministra para quem deseja se tornar legendador é só entrar no site da Gemini Training Center.

Após a oficina houve um coffee break, um intervalo importantíssimo para o networking e a troca de cartões de visitas.

A segunda parte do dia (a palestra de abertura) eu vou descrever no próximo post, com as inúmeras anotações que fiz.

Pausa para o Congresso da ABRATES

Por Pricila Reis Franz em 22. Mar, 2010 | Tradução | No Comments

Um post relâmpago apenas para dizer que o blog ficou sem atualização porque estava participando do III Congresso Internacional de Tradução e Interpretação da ABRATES em Porto Alegre. Foi maravilhoso e muito proveitoso! Durante os próximos dias farei alguns posts com todos meus registros e impressões sobre o evento. Fiquem atentos!