Maria Magdalena/Madalena na música: luxúria e paixão – Ciberteologia
Por Pricila Reis Franz em 14. Jan, 2010 | Música, PriBi, literatura | 1 Comment
Aproveitei o embalo dos temas Religião X Música X Literatura e escrevi um outro artigo, sobre Maria Madalena, com o título: “Maria Magdalena/Madalena na música: luxúria e paixão” na Revista Ciberteologia, n. 27, da editora Paulinas.
Seguem alguns trechos:
O presente trabalho pretende apresentar a transição de Maria Magdalena/Madalena dos Evangelhos a personagem na música contemporânea.
Maria Magdalena/Madalena (ou de Magdala) é a figura feminina mais citada no Novo Testamento, até mais do que a Virgem Maria. Sempre se fala da mulher de quem Jesus expelira sete demônios e que passou a pertencer ao grupo de mulheres que o acompanhavam e prestavam assistência com seus bens. Além disso, é personagem importante na ressurreição de Cristo (é a primeira pessoa que o vê ressuscitado).
Com tamanho destaque nas Escrituras, essa personagem logo chamou a atenção dos estudiosos. Infelizmente, com o passar dos anos, sua imagem foi sendo modificada, deturpada. Testemunha da ressurreição e discípula, sábia, companheira de Jesus descrita nos Evangelhos apócrifos (que pregavam o gnosticismo), a imagem construída no Ocidente de Maria Magdalena/Madalena não está nas Escrituras. Na realidade, é uma união de três personagens femininos descritos nos Evangelhos em uma só mulher: Maria de Magdala, de quem Jesus expulsou sete demônios, que o seguiu até o Calvário e testemunhou a ressurreição; Maria de Betânia, irmã de Marta e Lázaro; e a pecadora anônima que lavou os pés de Jesus na casa do fariseu Simão.
Assim, partindo da união desses vários elementos existentes nos Evangelhos canônicos e apócrifos, constituiu-se na Idade Média uma veneração de Maria Magdalena/Madalena como pecadora arrependida. Gregório Magno, bispo de Roma, efetiva essa imagem ambivalente e contraditória de Maria Magdalena/Madalena tomando os acontecimentos como realizados por uma personagem só.
Desde então, Maria Magdalena/Madalena foi vista como símbolo da Igreja, misto de santa e pecadora, definida pela fraqueza e pelo amor, pintada com as cores do pecado (da carne). No início do século XII, o abade Geoffroi compôs um sermão dirigido aos monges intitulado “Em nome da bem-aventurada Maria Magdalena/Madalena”. Nessa homilia, Maria Magdalena/Madalena passa de meretriz (ideia baseada no Evangelho de Lucas), de famosa pecadora, a gloriosa pregadora.
Na Idade Média, então, ocorre a transposição da imagem de Maria Magdalena/Madalena de mulher rica, nobre e devotada a Cristo para a imagem de uma criatura portadora do mal e dilacerada pela mortificação, constituindo um modelo ideal feminino mais humano que o vigente até então, o da Virgem Maria, e também representando um papel simbólico fundamental em todas as iniciativas de recuperação de mulheres “perdidas”.
Essa imagem confusa atravessou séculos e ganhou ainda maior força nos últimos anos, com o lançamento de várias obras literárias referentes à personagem, e, em particular, do livro de Dan Brown, O Código Da Vinci. Na música não poderia ser diferente. É possível observar nas canções o interesse sempre crescente por essa personagem bíblica tão confusa, polêmica e apaixonante.
Dessa forma, a imagem mais comum que se encontra nas composições é a de Maria Magdalena/Madalena como símbolo do pecado da paixão, da luxúria, uma santa muito próxima do povo.
Leia o artigo na íntegra aqui e dê sua opinião.
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