O nome da rosa é

Por Pricila Reis Franz em 27. Mar, 2006 | literatura, livro | 4 Comments

O nome da rosa… é rosa, mesmo se ela não mais existir?
Pois, finalmente, estou começando a ler este ano alguns livros que estavam na fila de espera… E O nome da Rosa, de Umberto Eco é um desses. E posso dizer que, em tempos de Dan Brown (sim, eu li O Código da Vinci - razoável e Anjos e Demônios - completamente “fora da casinha”), esse é um livro excelente de mistério, tendo como pano de fundo a Igreja e suas discussões, no caso, se Cristo teria sorrido ou não. 

O que mais dizer, além de que é ótimo? É um livro com narrativa labiríntica (qualquer semelhanca com a internet não é mera coincidência!), isto é, há várias camadas. Num primeiro momento temos as aventuras de Guilherme de Baskerville (Sherlock Holmes de batina…) e seu discípulo Adso (elementar, meu caro Watson…) na investigação de sete crimes em sete dias; há o debate sobre a riqueza e pobreza da Igreja; entre o racionalismo e o misticismo; questões filosóficas (onde está a Verdade); muita ironia e uma história de ficção amparada em vários aspectos históricos (a chamada metaficção histórica), numa trama de verdadeiro romance policial, que prende o leitor até o fim. 

O próprio nome do livro já intriga: afinal, por que “o nome da rosa”? Segundo a Wikipedia
No romance O Nome da Rosa, Umberto Eco relembra a problemática suscitada pelo nominalismo entre o que é essencial, que parece ser o nome da rosa como nome, em si um conceito, portanto um universal, dessa forma, eterno, imutável, imortal e de sua contraposição a rosa particular, individual no mundo, flor de existência única na realidade, que por acontecer, também é passageira, mortal e transitória. O próprio nome do livro suscita uma questão que relembra a questão dos universais e dos particulares, que se refere a saber se o nome da rosa é universal ou particular. O quadro da questão pode ser representado de forma tradicional pelo quadrilátero de proposições lógicas. A questão se refere ao juízo que fazemos do nome da rosa: se ele é universal, por exemplo: O nome da rosa é imortal; particular: O nome da rosa é passageiro (mortal) e ainda: Nenhum nome da rosa é imortal; ou: Algum nome de rosa é passageiro. Os vértices do quadrilátero seriam formados por esses quatro juízos. Seria algum desses juízos verdadeiro ou falso? Se sim ou não, nisso há alguma contradição? Haveria outras possibilidades, outras incertezas?

Mas, mais intrigante ainda é o sucesso que fez no mundo inteiro, afinal, embora eu tenha achado excelente, sei que não esse livro não pertence à fórmula dos “best sellers”, pois é longo, tem vários trechos em latim (que é uma perda para quem não entende, mas nào compromete a história, de qualquer forma…), há várias descrições (hilária a descrição dos óculos de Guilherme!!), enfim, parece-se mesmo com um livro de memórias de um monge com uma mente medievalista… Provavelmente o que tanto agradou foi a estrutura de romance policial, aliada à realização do filme baseado na obra… (aliás, uma curiosidade: segundo o próprio Umberto, 47% das pessoas que conhecem a história pensam que o autor do livro é, nada mais, nada menos que…. – Sir Sean Connery!!!)… O importante é que um dos livros italianos mais vendidos no mundo e demonstra que nem tudo está perdido, que ainda há leitores interessados em leitura de boa qualidade!!! 

Espero agora assistir ao filme (assisti na adolescência, mas não lembro de absolutamente nada…), para comparação, embora já saiba que muitos aspectos foram modificados e é impossível recriar a mentalidade de um monge do século XIV como Eco criou em suas centenas de páginas num filme de duas horas. Contudo, para quem não é chegado numa longa leitura, talvez o filme seja um bom começo… 

“Os livros não são feitos para acreditarmos neles, mas para serem submetidos a investigações. Diante de um livro não devemos nos perguntar o que diz, mas o que quer dizer, idéia que os velhos comentadores dos livros sagrados tiveram claríssima.” (Eco, O Nome da Rosa, p. 361) 

Obras e filmes citados: 

O Nome da Rosa – 1983
Umberto Eco
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O Nome da Rosa (filme) – 1986
Jean-Jacques Annaud
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O Código da Vinci – 2004
Dan Brown
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Anjos e Demônios – 2004
Dan Brown
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Pricila Reis Franz (Twitter)

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4 Comentários

  1. eliane says:

    Gostaria de saber ao certo a origem da palavra kadoshi, se é hebraica, aramaica, ou grega.

  2. Aiya, Eliane!
    A palavra "kadoshi" vem do grego e significa "santo". Volte sempre!

  3. Eliane says:

    Boa tarde! Eu gostaria de saber a origem da palavra

    ó pai ió.

  4. Alexandre Michael says:

    Conselho de Kadosh. Gran Mestre Eleito, Sublime Cavaleiro da Águia Branca e Negra e Cavaleiro Kadosh guardião do Templo de Salomão. Este grau simboliza e representa o excelsior valor da grandeza e regras maçônicas.

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