filme
Caso tradutório: O Menino do Pijama Listrado
Por Pricila Reis Franz em 25. Jan, 2010 | Tradução, filme, literatura, livro | 23 Comments
Li no final do ano passado o livro “O Menino do Pijama Listrado” (The Boy in the Striped Pajamas, 2006) de John Boyne, com tradução de Augusto Pacheco Calil, Cia. das Letras (2007).
Sem entrar no mérito da história (que já criou alguma polêmica), gostaria de apontar duas soluções tradutórias no texto que me chamaram a atenção.
O livro apresenta os horrores do Holocausto pelo ponto de vista muito (mas muito mesmo!) inocente de uma criança. Aliás, só aos poucos descobre-se que se trata desse tema, pois o protagonista (um garoto alemão de 9 anos chamado Bruno) não toma conhecimento do que está acontecendo no país, ouve apenas trechos dos acontecimentos (que servem para o leitor se ambientar), não sabe o que é um “judeu” e não consegue pronunciar corretamente certas palavras: “Der Führer” e “Auschwitz”.
Como o texto original é inglês, o menino diz “The Fury” (tradução, “A Fúria”) e “Out-With” (“Além, Fora”). Os significados dessas expressões trazem muitas interpretações, afinal, muito se pode escrever sobre Hitler associado à fúria, e Auschwitz como “além e fora” da realidade de Bruno… Além disso, o escritor chegou a declarar que sua intenção era de que o livro tratasse de qualquer campo de concentração, para adicionar universalidade à experiência de Bruno…
Bom, como não li o livro no original, e sim sua tradução em português, como foi resolvida essa questão? No primeiro nome foi fácil, o tradutor optou por “O Fúria”. Tem uma sonoridade parecida com “The Führer”, e ficou fiel ao original em inglês, apenas trocando o artigo, o que remete à maneira como alguns imigrantes e descendentes alemães falam por aqui. Agora a segunda expressão ficou mais complicada. O tradutor optou pela sonoridade, abandonando de certa forma o significado original: “Haja-Vista”. Confesso que só lá pela metade do livro é que me dei conta de que essa era a forma como o garoto se referia a “Auschwitz”. E fiquei muito curiosa de saber o que fez o tradutor alemão, que palavras escolheu (se alguém souber, por favor, escreva).
Enfim, tudo isso para demonstrar que nem sempre o tradutor pode ou deve seguir o original. É necessário encontrar soluções satisfatórias para o público ao qual se destina o texto. Caso você queira fazer algum comentário sobre este caso, deixe seu recado abaixo!
Em 2009 foi lançado um filme de mesmo título, baseado no livro.
Caso tenha interesse, clique aqui para comprá-lo.
Biblioteca Digital Mundial da Unesco
Por Pricila Reis Franz em 06. May, 2009 | E-Book, Música, Tecnologia, arte, filme, literatura, livro, olhar pelo mundo | No Comments
A Biblioteca Digital Mundial – BDM (World Digital Library) é um site com acesso público e gratuito que disponibiliza mais de 4,6 milhões de materiais raros e únicos, manuscritos, mapas, livros raros, filmes, jornais, documentos sonoros, partituras, pinturas, gravuras e fotografias de todas as partes do mundo. Inicialmente é possível acessá-la em sete idiomas (árabe, chinês, espanhol, francês, inglês, português e russo).
Mapa do Brasil, 1850 – só uma “provinha” do material da BDM
A BDM foi desenvolvida pela UNESCO junto com a equipe da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, além do apoio técnico e a contribuição de várias bibliotecas e organizações culturais. É a terceira maior biblioteca digital, só atrás do Google Book Search e da biblioteca virtual Europeana.
Entre os tesouros culturais do acervo estão reproduções das mais antigas grafias e fotografias raras da América Latina. Junto com a criação da biblioteca há uma campanha de mobilização que pretende captar até o final do ano cerca de 60 países associados. O objetivo é ter 10 milhões de itens escaneados até 2010. Para acessá-la, clique aqui.
Artigo: A Viagem de Oribela em Desmundo
Por Pricila Reis Franz em 04. Oct, 2008 | filme, literatura, livro | No Comments
Mais um artigo meu foi publicado: “A Viagem de Oribela em Desmundo”. Para quem gosta da literatura de Ana Miranda, talvez se interesse por ele. Eis aqui o resumo:
O presente artigo objetiva analisar a temática “viagem” na obra Desmundo de Ana Miranda, as alterações, a busca de identidade, o choque de Oribela (órfã que faz viagem forçada para o Brasil), bem como as trocas de aspectos culturais que ocorrem entre esta e “o outro, o novo”, representado nas figuras do mouro Ximeno Dias, dos naturais brasileiros e da comunidade portuguesa existente no Brasil Colônia. Será apresentada também a viagem exterior e interior da protagonista, demonstrando sua visão sobre o Desmundo (o Brasil), com todas as lendas e crendices próprias da concepção cristã portuguesa do Novo Mundo.
Só não entendi porque mudaram o final da história no filme…
Se quiser ler, clique aqui.
Sessão Cinema
Por Pricila Reis Franz em 22. Feb, 2005 | filme | No Comments
SESSÃO CINEMA
Ultimamente temos assistido a diversos filmes, numa tentativa (frustada!) de ficarmos em dia com o cinema…. Doce ilusão! Olhamos um e tem mais cinqüenta na fila de espera….
Em todo caso, gostaria de comentar os bons, os mais ou menos e os tenebrosos que vimos recentemente. Aí está a listinha:
1 – Colateral (Collateral)
2 – O Encontro (The Gathering)
3 – Tróia (Troy)
4 – Showbar (Coyote Ugly)
5 – Meninas Malvadas (Mean Girls)
6 – Lutero (Luther)
7 – Chicago
8 – O Grito (The Grudge)
9 – Alexandre (Alexander)
Essa lista não está pela ordem em que os vimos, mas sim, em ordem decrescente de preferência. Antes de comentá-los, um aviso: POUPEM SEU TEMPO E SEU DINHEIRO! NÃO ASSISTAM A ALEXANDRE! É o pior filme que já vi, de todos os tempos!
Bom, estando todos avisados, começo por Collateral. Para quem gosta de cenas poéticas e lições de vida, no maior estilo Magnólia, este é o filme. Para quem gosta de ação, também. Afinal, o Tom Cruise (bárbaro nesse filme, como um vilão “sábio”!) é nada mais, nada menos, do que um matador de aluguel. Destaque especial merece a cena em que aparece um lobo no meio da estrada, em pleno centro de Los Angeles. É uma alusão ao sentimento de estranheza que o Vincent (Cruise) sente quando está na cidade e, ao mesmo tempo, uma maneira poética de demonstrar a liberação do lado “selvagem”do taxista Max (Jamie Foxx), que deixa de “seguir rigorosamente as regras da vida” para utilizar o bom-senso e a ousadia em quebrá-las quando é necessário. Vale a pena (e muito!) assisti-lo.
Já O Encontro é um filme de suspense, com um enredo, no mínimo, interessante: uma igreja é encontrada e supõe-se que seja do século I d.C. O que chama a atenção nela é o altar, em que o crucifixo está no meio, virado para uma parede em que estão retradas (realísticamente) várias pessoas. Surge a questão? Quem são essas pessoas? Ao mesmo tempo, no centro da cidade, coisas estranhas começam e acontecer e aparecer… Filme com uma boa história e bons sustos!!!
Tróia é uma superprodução, com atores consagrados (Brad Pitt – razoável – e Orlando Bloom – sofrível!) e mudanças drásticas na já tão conhecida história. Até é aceitável terem excluído toda a questão dos deuses e deusas (o que empobreceu o filme), levando em consideração apenas a guerra entre os humanos; agora, alterar o final também já é demais… Destaque para o ladrão de cena Heitor (Eric Bana) que é magnifíco. Sua morte é simplesmente a melhor cena e e seu pai (O’Toole) arranca lágrimas com sua atuação. Lembrete também das grandes cenas dos preaparativos das batalhas (feitas no computador), embora as batalhas mesmo, no corpo-a-corpo, deixem um pouco a desejar no quesito realismo…
Showbar e Meninas Malvadas são filmes legalzinhos, totalmente holywoodianos em que as mocinhas vão para a cidade grande / escola e têm que se virar para conseguirem o que querem. No final, todo mundo se acerta e vivem felizes para sempre. Filmes bons para descansar a mente e simplesmente curtir…
A partir de agora são os filmes abacaxis. Lutero tinha tudo para ser bom, pois a história é ótima. Contudo, os cortes que fizeram deixaram o filme sem seqüência, péssimo.
Disseram que quem tivesse gostado de Moulin Rouge iria gostar de Chicago. Pois eu amei Moulin e detestei Chicago. Não sei, talvez não consegui me identificar também como aconteceu com o primeiro, pois havia várias músicas que conhecia… Não gostei da história, embora tenha que concordar que fizeram um retrato fiel da realidade em que, não importa o que se tenha feito e sim, qual é a versão da história e quem tem maior poder de persusão. Destaque para a cena do julgamento, em que há uma comparação com o circo, um verdadeiro espetáculo de hipocrisia e mentiras camufladas…
O Grito é um filme que vem no embalo do Chamado mas que faltou enredo, simplesmente… Não há história propriamente dita, apenas uma casa em que aconteceu uma tragédia e todos que a tocam, morrem. Patético.
Finalmente, Alexandre. O que dizer? Fizeram um imperador (o maior de todos os tempos, sangüinário) gay, sempre escondido no rabo de saia da mãe e, ao mesmo tempo, fugindo dela. Ainda por cima, escolheram um péssimo ator (Colin Farrell, que parece estar o tempo todo com medo no filme, mesmo quando está ganhando as batalhas). A impressão que se tem é que o exército é que sempre conseguiu tudo o que Alexandre queria e que ele era apenas um lunático. Nem as batalhas salvam o filme. Não percam 3 horas preciosas de sua vida com isso… Vale mais a pena dormir, ler um livro; qualquer coisa é melhor do que Alexandre…
Por enquanto, é isso. Estou preparando umas resenhas de livros também, que em breve postarei.
Comentário sobre o filme Forgotten
Por Pricila Reis Franz em 19. Nov, 2004 | filme | No Comments
Comentário sobre o filme Forgotten – Esquecidos
Olhamos um filme de suspense excelente: Forgotten (Esquecidos, em português). É a história de uma mãe que perdeu seu filho num acidente de avião e, de repente, ninguém mais se lembre dele, a não ser ela. Filme ótimo para levar sustos! O desfecho é surpreendente! Recomendo…












